sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Sempre ao Seu Lado



"Vejo cartas de Deus caídas na rua, com a assinatura de todos em seu nome, e as deixo onde estão, porque sei que, para onde quer quer eu vá, outros chegarão pontualmente, para sempre e sempre."

 Sinopse: Quando Hachiko, um filhote de cachorro da raça akita, é encontrado perdido em uma estação de trem por Parker (Richard Gere), ambos se identificam rapidamente. O filhote acaba conquistando todos na casa de Parker, mas é com ele que acaba criando um profundo laço de lealdade.

          Baseado em uma história real, o filme ficou famoso pela linda história de lealdade entre um cão e seu dono. Eis, a seguir, a foto do verdadeiro cão:



terça-feira, 2 de novembro de 2010

O Grafitti do Profeta Gentileza


      

    José Datrino nasceu em Cafelândia / SP, no dia 11 de Abril de 1917, e morreu em Mirandópolis / SP, no dia 29 de Maio de 1996, com 79 anos. Ele ficou famoso a partir de 1980, adotando a alcunha de Profeta Gentileza e criando inscrições peculiares sob o Viaduto do Caju, no Rio de Janeiro, que pregavam a paz, o amor e, claro, a gentileza. Datrino nasceu e cresceu no campo, ajudando a família de 9 irmãos a ganhar seu sustento. Quando completou 20 anos, ele se mudou para o Rio de Janeiro, onde montou uma empresa de transportes que logo ficaria bastante conhecida. Lá, também se casou com Emi Câmara e teve 5 filhos.
    A tragédia com o Gran Circus Norte-Americano, famosa na época, viria a mudar a vida de Gentileza. Na ocasião, morreram mais de 500 pessoas, a maioria eram crianças. Seis dias depois, Gentileza disse ter ouvido vozes astrais. Ele pegou um de seus caminhões e foi até o local dos destroços, plantando um jardim e uma horta, consolando os familiares com palavras de bondade.
   A partir de 1980, Gentileza começou seu trabalho nas pilastras do Viaduto do Caju. Nelas, pintou vários textos em verde e amarelo, com uma letra bastante característica. Nos textos, críticas ao mundo atual e a alternativa do profeta para o mal-estar da civilização. Em maio de 2000, suas inscrições foram restauradas e transformadas em patrimônio histórico da cidade do Rio de Janeiro.


segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A Literatura de Paulo Leminski


   
POETAS VELHOS  


 Bom dia, poetas velhos.
Me deixem na boca
o gosto dos versos
mais fortes que não farei.

Dia vai vir que os saiba
tão bem que vos cite
como quem tê-los
um tanto feito também,
acredite.
    
     O escritor, poeta, tradutor e professor brasileiro, Paulo Leminski Filho, nasceu em Curitiba no dia 24 de Agosto de 1944, filho de Paulo Leminski e  Áurea Pereira Mendes. Ele sempre chamou atenção por sua intelectualidade, cultura, genialidade e um volume de produção explosivo.
    Desde muito cedo, Leminski inventou um jeito próprio de escrever poesia, preferindo poemas breves, muitas vezes fazendo haicais, trocadilhos ou brincando com ditados populares. Seu primeiro romance, escrito em 1975, Catatau (prosa experimental) é, em certa medida, uma síntese do universo e das preocupações que atravessam toda sua obra. No livro, o autor desloca o filósofo René Descartes e seu pensamento lógico para o Brasil, na época das invasões holandesas. Em seu trabalho biográfico, destaca-se o resgate de dois "malditos": Cruz e Souza, o poeta "emparedado" pelo racismo no Brasil, no século XIX e Leon Trotsky, o revolucionário russo.Também como parte de suas preocupações, Leminski faz um exelente resgate do pensamento trotskista sobre as relações entre a Arte e Revolução, e a necessidade da independência da primeira para que a segunda se realize em sua plenitude.
   A obra de Leminski, ícone da chamada contracultura no Brasil, é vasta e multifacetada. Ele morreu aos 44 anos, de cirrose, em 7 de Junho de 1989, depois de ter vivido uma das mais intensas, complexas e produtivas vidas literárias em nosso país.


(Sugestão de postagem da Prof.ª Alessandra Gasparotto - Disc. História - CAVG).

domingo, 31 de outubro de 2010

Recado de Antoine de Saint - Exupéry

"Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo. Minha vida é monótona. (...) Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me chamarão para fora da toca, como se fosse música."


sábado, 30 de outubro de 2010

Banda Queen


       A Banda Queen, umas das mais famosas bandas inglesas da década de 1970 até 1990. Atualmente é composta por Roger Taylor e Braian May, e antigamente junto com Freddie Mercury (in memorian) e John Deacon. Teve sua origem na Inglaterra e espalhou o sucesso pelo mundo inteiro. Contudo, os integrantes da banda faziam coisas extraordinárias que eram díficeis de acreditar. Uma delas foi em um de seus clipes, convidaram 50 garotas para ficaram nuas em bicicletas. Também chamou fãs para participar de um vídeo para a música "Friends will be Friends." Queen foi a banda mais bem paga de todos os tempos. O Lógica Dialética recomenda o livro “Queen Magic Works”, que traça a biografia da banda de uma forma diferente: através de sua produção musical.

Moulin Rouge


"The greatest thing you'll ever learn is to love and be loved in return"

O Lógica Dialética recomenda a todos olharem o filme Moulin Rouge - o amor em vermelho, para que possam conhecer a cidade de Paris em outros tempos, que serviu de palco para uma das mais belas histórias de amor de todos os tempos: o amor de uma prostituta com um escritor boêmio, vencendo todos os obstáculos. Acima, temos a frase que deu base ao filme: "A melhor coisa que você pode aprender é amar e ser amado em retorno."

domingo, 24 de outubro de 2010

Carlos Drummond de Andrade

“As palavras não nascem amarradas,
elas saltam, se beijam, se dissolvem,
no céu livres por vezes um desenho,
são puras, largas, autênticas, indevassáveis.”

 

CONSOLO NA PRAIA   

“Vamos, não chores...
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.

O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.

Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis casa, navio, terra.
Mas tens um cão.

Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizaram.
Mas, e o humour?

A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.

Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho.”


PROCURA DA POESIA

“[...]

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.


[...]

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?

[...]”





Contos Gauchescos

Contos Gauchescos           
João Simões Lopes Neto

- APRESENTAÇÃO
- TREZENTAS ONÇAS
- NO MANANTIAL
- CONTRABANDISTA
- JOGO DO OSSO

    A força, a originalidade e o caráter inovador de sua literatura estão diretamente ligados à imaginação e a expressão com que conseguiu traduzir e superar ficcionalmente as limitações do meio no tratamento literário do regional.



APRESENTAÇÃO

    “PATRÍCIO, apresento-te Blau, o vaqueano.”
    “Entre o Blau – moço, militar – e o Blau – velho, paisano – ficou estendida uma longa estrada semeada de recordações – casos, dizia – que de vez em quando o vaqueano contava, como quem estende ao sol, para arejar, roupas guardadas ao fundo de uma arca.”
    “Querido digno velho! Saudoso Blau! Patrício, escuta-o.”

    Em seguida, temos Blau Nunes identificando-se:

    “Eu tenho cruzado o nosso Estado em caprichosos ziguezagues. Já senti a ardentia das areias desoladas do litoral; já me recreei nas encantadoras ilhas da lagoa Mirim; [...]”




TREZENTAS ONÇAS

→ A história gira em torno do próprio narrador, Blau Nunes.

    Tropeiro, Blau levava trezentas moedas de ouro que conseguira com o patrão para realizar o pagamento de um gado que iria buscar. Descuidado, ao descansar à beira de um arroio, esquece o dinheiro, que estava no seu cinturão.
    Blau apenas se dá de conta do esquecimento do dinheiro ao chegar à uma estância, onde iria pernoitar. Volta desesperadamente com o seu cavalo e seu cachorro que sempre o seguia. Ao chegar à beira do arroio, viu que o cinturão havia sumido.
    Desolado, certo que seria acusado de roubo, resolve matar-se. Mas, sentindo-se tocado pela beleza da natureza e pelo significado da amizade, da liberdade, da esperança e do trabalho, desiste da idéia.
    No final, Blau recupera o dinheiro: este foi achado por alguns viajantes que o encontrara no caminho.

    “Em cima da mesa a chaleira, e ao lado dela, enroscada, como uma jararaca na ressolana, estava a minha guaiaca, barriguda, por certo com as trezentas onças dentro.”


NO MANANTIAL

→ Blau Nunes conta o conto e apresenta-se como testemunha deste.

    “Mas, onde quero chegar: vou mostrar-lhe, lá, bem no meio do manantial uma cousa que vancê nunca pensou em ver; é uma roseira, e sempre carregada de rosas...”

    Perto do manantial (sumidouro mal assombrado) vivia uma moça chamada Maria Altina, que levava sempre em seu cabelo uma rosa e cultivava uma roseira a partir de uma flor que ganhara de seu namorado. Mesmo estando para casar, esta sofria constante assédio de seu vizinho, o Chicão.
    Um dia, estando em casa apenas com a avó e uma negra, Chicão tenta estuprá-la, depois de matar a velha. Maria Altina foge com seu cavalo e mete-se no manantial, onde Chicão, perseguindo-a, atola-se com a montaria. Quando chegam outras pessoas, há apenas a rosa do cabelo de Maria Altina boiando no lamaçal e Chicão preso ao cavalo. O pai de Maria Altina se atira sobre o criminoso e ambos desaparecem no lodo. A moça afundara para sempre, deixando apenas a rosa de seus cabelos, a mesma rosa da qual brotaria uma roseira futuramente.


CONTRABANDISTA

→ Blau Nunes fala, aqui, apenas como narrador e testemunha.

    Na véspera do casamento da filha, o velho Jango Jorge vai buscar-lhe o contrabando do vestido de noiva. Acaba sendo descoberto; precisa enfrentar os guardas para recuperar o vestido; acaba morto, crivado de balas.
    Seus companheiros levam seu corpo para casa, e lá todos ficaram tristes. Sob o poncho do contrabandista, sua mulher encontra o vestido branco da filha, junto com os sapatos, o véu e as flores de laranjeira: tudo coberto de sangue.

    “Tudo numa plastada de sangue... tudo manchado de vermelho, toda alvura daquelas cousas bonitas como que bordada de colorado, num padrão esquisito, de feitios estrambólicos... como folhas de cardo solferim esmagadas a casco de bagual!...”


JOGO DO OSSO

→ Blau Nunes ensina como se joga o Jogo do Osso e revela o clima e a tensão característicos das antigas festas campeiras.

    No jogo estão Osoro, que está com a sorte, e Chico Ruivo, que está com azar. Chico perde tudo e acaba apostando até sua mulher, Lalica, e a perde. Depois, ela o destrata e o chama de “guampudo”. Quando Chico vê Osoro beijando e dançando com sua mulher, ele atravessa ambos com seu facão, depois foi embora.

    “Vancê compr’ende? Do mesmo talho varou os dois corações, espetou-os no mesmo ferro, matou-os da mesma morte, fazendo os dois sangues, num de cada peito, correrem juntos num só derrame...”