domingo, 31 de outubro de 2010

Recado de Antoine de Saint - Exupéry

"Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo. Minha vida é monótona. (...) Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me chamarão para fora da toca, como se fosse música."


sábado, 30 de outubro de 2010

Banda Queen


       A Banda Queen, umas das mais famosas bandas inglesas da década de 1970 até 1990. Atualmente é composta por Roger Taylor e Braian May, e antigamente junto com Freddie Mercury (in memorian) e John Deacon. Teve sua origem na Inglaterra e espalhou o sucesso pelo mundo inteiro. Contudo, os integrantes da banda faziam coisas extraordinárias que eram díficeis de acreditar. Uma delas foi em um de seus clipes, convidaram 50 garotas para ficaram nuas em bicicletas. Também chamou fãs para participar de um vídeo para a música "Friends will be Friends." Queen foi a banda mais bem paga de todos os tempos. O Lógica Dialética recomenda o livro “Queen Magic Works”, que traça a biografia da banda de uma forma diferente: através de sua produção musical.

Moulin Rouge


"The greatest thing you'll ever learn is to love and be loved in return"

O Lógica Dialética recomenda a todos olharem o filme Moulin Rouge - o amor em vermelho, para que possam conhecer a cidade de Paris em outros tempos, que serviu de palco para uma das mais belas histórias de amor de todos os tempos: o amor de uma prostituta com um escritor boêmio, vencendo todos os obstáculos. Acima, temos a frase que deu base ao filme: "A melhor coisa que você pode aprender é amar e ser amado em retorno."

domingo, 24 de outubro de 2010

Carlos Drummond de Andrade

“As palavras não nascem amarradas,
elas saltam, se beijam, se dissolvem,
no céu livres por vezes um desenho,
são puras, largas, autênticas, indevassáveis.”

 

CONSOLO NA PRAIA   

“Vamos, não chores...
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.

O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.

Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis casa, navio, terra.
Mas tens um cão.

Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizaram.
Mas, e o humour?

A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.

Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho.”


PROCURA DA POESIA

“[...]

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.


[...]

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?

[...]”





Contos Gauchescos

Contos Gauchescos           
João Simões Lopes Neto

- APRESENTAÇÃO
- TREZENTAS ONÇAS
- NO MANANTIAL
- CONTRABANDISTA
- JOGO DO OSSO

    A força, a originalidade e o caráter inovador de sua literatura estão diretamente ligados à imaginação e a expressão com que conseguiu traduzir e superar ficcionalmente as limitações do meio no tratamento literário do regional.



APRESENTAÇÃO

    “PATRÍCIO, apresento-te Blau, o vaqueano.”
    “Entre o Blau – moço, militar – e o Blau – velho, paisano – ficou estendida uma longa estrada semeada de recordações – casos, dizia – que de vez em quando o vaqueano contava, como quem estende ao sol, para arejar, roupas guardadas ao fundo de uma arca.”
    “Querido digno velho! Saudoso Blau! Patrício, escuta-o.”

    Em seguida, temos Blau Nunes identificando-se:

    “Eu tenho cruzado o nosso Estado em caprichosos ziguezagues. Já senti a ardentia das areias desoladas do litoral; já me recreei nas encantadoras ilhas da lagoa Mirim; [...]”




TREZENTAS ONÇAS

→ A história gira em torno do próprio narrador, Blau Nunes.

    Tropeiro, Blau levava trezentas moedas de ouro que conseguira com o patrão para realizar o pagamento de um gado que iria buscar. Descuidado, ao descansar à beira de um arroio, esquece o dinheiro, que estava no seu cinturão.
    Blau apenas se dá de conta do esquecimento do dinheiro ao chegar à uma estância, onde iria pernoitar. Volta desesperadamente com o seu cavalo e seu cachorro que sempre o seguia. Ao chegar à beira do arroio, viu que o cinturão havia sumido.
    Desolado, certo que seria acusado de roubo, resolve matar-se. Mas, sentindo-se tocado pela beleza da natureza e pelo significado da amizade, da liberdade, da esperança e do trabalho, desiste da idéia.
    No final, Blau recupera o dinheiro: este foi achado por alguns viajantes que o encontrara no caminho.

    “Em cima da mesa a chaleira, e ao lado dela, enroscada, como uma jararaca na ressolana, estava a minha guaiaca, barriguda, por certo com as trezentas onças dentro.”


NO MANANTIAL

→ Blau Nunes conta o conto e apresenta-se como testemunha deste.

    “Mas, onde quero chegar: vou mostrar-lhe, lá, bem no meio do manantial uma cousa que vancê nunca pensou em ver; é uma roseira, e sempre carregada de rosas...”

    Perto do manantial (sumidouro mal assombrado) vivia uma moça chamada Maria Altina, que levava sempre em seu cabelo uma rosa e cultivava uma roseira a partir de uma flor que ganhara de seu namorado. Mesmo estando para casar, esta sofria constante assédio de seu vizinho, o Chicão.
    Um dia, estando em casa apenas com a avó e uma negra, Chicão tenta estuprá-la, depois de matar a velha. Maria Altina foge com seu cavalo e mete-se no manantial, onde Chicão, perseguindo-a, atola-se com a montaria. Quando chegam outras pessoas, há apenas a rosa do cabelo de Maria Altina boiando no lamaçal e Chicão preso ao cavalo. O pai de Maria Altina se atira sobre o criminoso e ambos desaparecem no lodo. A moça afundara para sempre, deixando apenas a rosa de seus cabelos, a mesma rosa da qual brotaria uma roseira futuramente.


CONTRABANDISTA

→ Blau Nunes fala, aqui, apenas como narrador e testemunha.

    Na véspera do casamento da filha, o velho Jango Jorge vai buscar-lhe o contrabando do vestido de noiva. Acaba sendo descoberto; precisa enfrentar os guardas para recuperar o vestido; acaba morto, crivado de balas.
    Seus companheiros levam seu corpo para casa, e lá todos ficaram tristes. Sob o poncho do contrabandista, sua mulher encontra o vestido branco da filha, junto com os sapatos, o véu e as flores de laranjeira: tudo coberto de sangue.

    “Tudo numa plastada de sangue... tudo manchado de vermelho, toda alvura daquelas cousas bonitas como que bordada de colorado, num padrão esquisito, de feitios estrambólicos... como folhas de cardo solferim esmagadas a casco de bagual!...”


JOGO DO OSSO

→ Blau Nunes ensina como se joga o Jogo do Osso e revela o clima e a tensão característicos das antigas festas campeiras.

    No jogo estão Osoro, que está com a sorte, e Chico Ruivo, que está com azar. Chico perde tudo e acaba apostando até sua mulher, Lalica, e a perde. Depois, ela o destrata e o chama de “guampudo”. Quando Chico vê Osoro beijando e dançando com sua mulher, ele atravessa ambos com seu facão, depois foi embora.

    “Vancê compr’ende? Do mesmo talho varou os dois corações, espetou-os no mesmo ferro, matou-os da mesma morte, fazendo os dois sangues, num de cada peito, correrem juntos num só derrame...”